quarta-feira, 25 de março de 2015

A impressão está nos olhos de quem vê

- Não sei por que, só não gostei dela. Não gostei daquele jeito de falar, daquele sotaque e como ri. Tenho a impressão de que é uma pessoa insuportável.

Pensei eu, certa vez, sobre uma menina linda e sorridente que estudava na mesma sala que eu, num semestre qualquer da faculdade.
Eu não a conhecia, apenas via perambular, falar e gesticular pelos corredores do curso.

Segundo o Dicionário Priberam conhecer é; ter conhecimento de, ter relações com, saber o que é e ter total noção de.

Eu não sabia como ela era de fato, não tinha conhecimento dela e muito menos relações. Como eu podia ter uma impressão? Como eu poderia descrevê-la insuportável?

Bom, quem nunca?!

E o mais irônico da vida? Bastaram algumas semanas para, por algum motivo que não lembro qual, eu ter que falar com ela (acho que acabamos desenvolvendo alguma atividade, em sala, juntas). A coisa toda foi acontecendo naturalmente, conversa aqui, troca deias, alguns sorrisos, adiciona no Face ali, ficam amigas acolá...

- Péra! Cuma?

Sim, isso mesmo, ficamos amigas.

Eu comecei a conhecê-la de fato e descobri que ela era totalmente o contrário do que eu imaginava, e que além de ser uma mulher muito forte, independente e lutadora ainda estava passando por um problemaço. Eu entrei por vontade própria naquele barco e dei meu apoio, meu ombro e minhas palavras. E tudo aconteceu! Acompanhei o processo de baixo, de alto, da Fênix. Hoje ela está feliz, realizada e continua linda, sorridente e guerreira.
Lembro que ouvi dela a seguinte frase: “O meu socorro veio de onde eu menos esperava.” (Óbvio, afinal de contas ela sentia minha antipatia, que tive a inteligência e bom senso de quebrar.).

Foi um belo tapa na cara que recebi da vida!

Impossível não termos impressão de alguém, aquela primeira impressão.
É inevitável o julgamento inicial e em alguns casos a antipatia gratuita.
Eu não vejo problema nisso, desde que seja mantido em segredo na nossa mente e sujeito a alterações, ou seja, criteriosamente questionado por nós mesmos, forçando-nos a conhecer a pessoa para nos convencer do contrário ou de que tínhamos razão. (Pode acontecer!)
Se for para definir (expor) alguém, que o conheçamos (de verdade) primeiro.
Se assim não for, melhor que diga “não sei”. Como diria o filósofo Zeca Pagodim: ♪...nunca vi, nem comi, eu só ouço falar...♪

A questão é: a primeira impressão NÃO É a que fica!
Não deve ser a que fica.

Eu penso que nunca conhecemos por completo alguém numa só vida. Sempre temos algo a descobrir de novo. Claro que com o tempo as novidades vão diminuindo, gravamos hábitos, defeitos e qualidades, sabemos os gostos, os mal gostos, onde mora ou morou, as histórias mais cabulosas, as surpreendentes, as bebedeiras e suas consequências, o wi – fi conecta automaticamente na casa da pessoa, a geladeira nos é familiar e aquele restinho de Pureza é compartilhado sem remorso. Ainda assim sempre estaremos em um processo de conhecimento do amigo, da amiga, dos amores, do amor e da vida.

A grande sacada da impressão é que ela não é culpa de quem passa, mas, de quem a cria.
Agimos por quem realmente somos (ou deveríamos pelo menos), os que chegam depois é que criam, em cima disso, uma impressão.

Queridinha! 
Ou seja, nessa vida não devemos passar impressão de nada, apenas ser nós mesmos. As pessoas que nos observam, nos avaliam e nos julgam que sejam capazes de nos compreender, nos interpretar e nos amar, como somos. E que isso seja always recíproco.

(Se esse meu texto for lido/avaliado por uma amante da gramática, ela irá me crucificar de cabeça para baixo, de tantas vezes que repeti a palavra "impressão"... hehe)

Postado inicialmente em:  Um Sofá Para Cinco

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Sentimentos e o tempo.

Você percebe que sentimento é uma coisa louca e a intensidade é o que conta, e não o tempo, quando vê que o que sentiu por alguém em anos não chegou nem na metade do que sentiu por outro em meses.
Confirmei minha própria teoria de que o tempo é relativo e o que define o sentimento é a intensidade. Para tudo na vida.
Só não tenho sorte. Mas por falta de experiência não morrerei.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Paixão.

Às vezes me arde o coração,
de sentimentos distintos,
De arrependimento e paixão.
Num mesmo espaço, peleiam entre si,
entre mim, sem fim.
De súbito possui-me um sentimento de força, de certeza,
de objetivo e clareza.
Acredito em mim. Deixarei de ti.
Maldito coração, bem que te adverti.
Basta-me teus olhos, como vidraça velha me despedaço.
O nó na garganta, derreto-me pelos olhos, me resumo num embaraço.
Não acho o fiel da minha balança,
Quando te afastas,
Perco a esperança.
Me conduzes dentro do teu compasso,
Naturais, acidentais, diminutas,
Conforme a tua música eu me desfaço.
E que a vida te bendiga,
Fora ou dentro do horizonte dos meus olhos,
O teu caminho, siga.
O meu peito deseja e aqui estará,
Ainda que em luta ferrenha,
Não é para sempre que esperará.

Perfeição.

De corpo e alma, nuas.
Eu olhava para ela, ela para mim.
Seus olhos diziam o que minha mente pensava.
Observei o desenho do seu corpo. Cada detalhe!
Vi defeitos. Aparentes e ocultos defeitos.
Saí dali, não a vi mais.
Sentada, com a cabeça entre as mãos e braços apoiados nas coxas, refleti. Voltei!
Lá estávamos novamente.
Percebi que os defeitos antes apontados partiam do princípio das opiniões alheias. Amigos, conhecidos, chegados... que me disseram uma ou duas vezes o "que faltava para eu ser perfeita".
Que triste!
Que triste quando a perfeição para alguém está no físico.
Coisa que passa, coisa que vai, coisa que cai, coisa que morre...
Eu disse a ela: Tu és muito mais que isso. Além do físico! Faça-se lembrada pelas atitudes, pela inteligência e sabedoria.
As pessoas perfeitas são, na verdade, justamente as que possuem defeitos, cometem erros, aprendem com eles e sobrevivem a isso.
Essa é minha definição de perfeição!
O corpo faz de mim alguém interessante nos primeiros 15 minutos ou 15 dias, depois, preciso ter algo a oferecer. Algo que é intangível.
O corpo morre, a alma vai, mas o legado fica.
De frente uma para outra sorrimos e concordamos.
Disse obrigada ao meu ESPELHO e deitei-me solita, mas, em paz.


Já pensou e as pessoas não se prendessem a detalhes físicos, mas, aos de personalidade e caráter?

Quem nunca.

Quem nunca sentiu raiva de si mesmo por errar, por desafinar, por se apaixonar, se permitir, se submeter, se ferir, por não conseguir desenvolver o texto; a música; o trabalho, por falar de mais ou de menos? Quem nunca odiou a si mesmo por ter entrado sozinho no problema e sozinho ter que sair dele? Quem nunca fez questão de tentar só pra ver se daria certo? Quem nunca sonhou, ciente de que era sonho, e não quis crer que estava apenas sonhando quando acordado com vários tapas na cara? Quem nunca se apaixonou? Se fez de cego! Ou ficou cego! Me diga, quem nunca se doou esperando algo em troca e de lá veio um "você é um amigo como tantos outros".
Se há, entre vós, alguém que não passou por nada disso, diga-me como é desse lado. Conte-me como é.
Não deveria, mas, embora evitáveis, tombos são necessários. Assim ficamos mais espertos no restante do caminho. Só sabe o valor da cura, quem adoece. Ou quem esteve sempre ao lado de um doente.